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Artigos
Quimiotipos
Variações no clima, solo, exposção ao sol e extração interferem no óleo essencial

 Por Fábián Lázlo FlégnerAromalândia Óleos Essenciais

 

Um dos problemas que existem hoje em dia com relação ao conhecimento das pessoas sobre a Aromaterapia, não só no Brasil mas também no exterior, é que ao fazerem algum curso, aprendem somente sobre as indicações dos óleos sem compreender suas variações químicas (quimiotipos). Existem realmente muitos poucos livros que falam a respeito destas variações existentes nos óleos essenciais - e os existentes ainda não foram publicados em língua portuguesa. Outro problema está no fato de se acreditar que o princípio de ação dos óleos essenciais se concentra unicamente em seu cheiro, o que é totalmente falho, pois sua ação química é o que existe de mais importante a se avaliar e estudar.

 

Hoje em dia, um fato que não poderíamos deixar de expor é que não adianta se utilizar um óleo essencial vindo de uma marca que dê garantia deste óleo ser puro e orgânico (cultivado sem agrotóxicos e pesticidas), se não nos é informado à qual quimiotipo este óleo pertence. Quimiotipos são variações químicas naturais que acontecem com os óleos e que surgem devido a diferenças climáticas, tipo de solo, altitude, exposição ao sol e chuva, época de colheita, etc., além de diferenças causadas pelo método de extração empregado e fração da destilação. Sendo assim, muitas plantas irão produzir óleos essenciais com composição química totalmente diferenciada entre si, com variações que vão desde 1% até 99% dos princípios ativos. Sendo assim suas finalidades terapêuticas são totalmente diferentes. Nesses casos, um óleo indicado normalmente como hipotensor, devido à sua composição química, pode passar a ser hipertensor, deixa de ser calmante e passa a ser estimulante, ou pode mudar sua taxa de absorção pela pele, etc.

  

O orégano possui diferentes espécies e subespécies que produzem óleos com teores de carvacrol, um de seus princípios ativos, bem diferenciados. Temos então: Origanum vulgare (0.5-71%), Origanum smyrnaeum (83%), Origanum gracile (9%), Origanum maru (44%), Origanum onites (68%), Origanum dubium (71%), Origanum dubium var. linalol (linalol 65% e carvacrol 12%), Origanum vulgare subsp. hirtum (3-84%) e Thymus capitatus (44-75%). Cada um destes óleos é cultivado em países diferentes e o problema que existe é que além de erroneamente algumas empresas darem o nome botânico de Origanum vulgare para espécies que possuem outra sinonímia (ou seja, todas), ainda existe o sério problema de adulteração do óleo de orégano com carvacrol sintético para se atingir o padrão internacionalmente exigido no comércio que é acima de 60%. O carvacrol é responsável pelas propriedades antimicrobiais do óleo de orégano, um potente antibiótico natural (nenhum microorganismo, até hoje, apresentou qualquer tipo de resistência a ele). Pesquisadores na Turquia têm comprovado o potencial terapêutico do óleo de orégano no tratamento de câncer de pulmão.

  

O alecrim (Rosmarinus officinalis) possui três quimiotipos principais, o QT1 normalmente vindo da Espanha e que possui alto teor em cânfora, o QT2 produzido na França, Inglaterra e Índia de maior teor em cineol (eucaliptol) e o QT3 produzido somente na França e que possui predominância da cetona verbenona. Ainda segundo o Dr. Robert Pappas, Phd e bioquímico que atua fazendo testes de cromatografia na Inglaterra, existe um quarto tipo de óleo de alecrim da espécie Rosmarinus piramidalis, até o momento desconhecido para nós. Scott Goyne, dos EUA, cita a destilação de um óleo de alecrim de composição química ainda não-identificada e definido como Rosmarinus officinalis var. tuscan blue. Também temos o óleo essencial extraído de uma planta brasileira conhecida como alecrim do campo (existem dois tipos), muito comum no interior de Minas e Nordeste brasileiro onde seus ramos são empregados na confecção de vassouras. Este tipo de alecrim, até o momento identificado como Dichptera aromatica, possui óleo essencial totalmente diverso ao óleo do alecrim verdadeiro, o Rosmarinus officinalis, não possuindo altos teores de cânfora, cineol ou verbenona na sua composição química, o que altera totalmente seu uso. O alecrim em alguns livros é indicado para problemas hepáticos e da vesícula, o problema é que tais indicações são restritas somente ao QT3 verbenona, pois esta cetona é seu maior princípio ativo. Os outros quimiotipos não servem para este uso, e são poucos livros que falam disso ou professores que tocam nestas diferenças. Utilizar um óleo de alecrim sem verbenona produzirá pouco resultado no tratamento de distúrbios hepáticos.

 

O óleo de sálvia esclaréia (Salvia sclarea) é outro que apresenta um problema sério com relação a uma de suas principais indicações: o tratamento de desordens menstruais, menopausa e mioma. O princípio ativo, para atingir essa finalidade na esclaréia é o esclareol. O maior produtor de óleo de sálvia esclaréia que podemos citar atualmente é a Bulgária, apesar de haver plantações na França, Índia, EUA e ainda em outros países, mas a Bulgária está na linha de frente. Produzem-se atualmente vários tipos de óleo de esclaréia que são diferentes conforme local de cultivo, extração e fatores do meio ambiente. Existem óleos mais caros com alta proporção de esclareol (3% - 3,5%), e óleos extremamente baratos com baixa proporção deste composto (menos de 1%). Muitos distribuidores e revendedores de óleos essenciais preferem o óleo mais barato, desconhecendo os valores terapêuticos do esclareol. Isso faz com que muitos terapeutas, e podemos dizer que a grande maioria, pelo menos no Brasil, tenha resultados decepcionantes com a sálvia ao tentar empregá-la no tratamento de distúrbios femininos, apesar de possuir outras indicações. Livros sobre Aromaterapia não trazem essas informações e poucos são os professores na área que sabem sobre isso, e assim as pessoas acabam empregando no tratamento produtos que compram como naturais, mas que não funcionam para a finalidade de que necessitam.

  

Sendo assim, não adianta o óleo ser taxado só como 100% puro, como óleo orgânico, ou como tendo certificado de organicidade, se não se sabe qual a sua composição química, para ser empregado nos tratamentos. É necessário ter acesso à cromatografia do óleo para se saber ao menos qual a sua variação química (quimiotipo), suas indicações, e para se ter também segurança da qualidade do óleo e de que ele não é adulterado.

 

O problema ainda é maior quando se fala sobre a questão do uso interno dos óleos essenciais. Apesar de existirem duas grandes facções quanto ao ensino dos óleos, uma da Inglaterra e outra da França, e a primeira delas ter banido quase que por completo o uso interno dos óleos, a segunda ainda faz este uso, e em nosso aprendizado pudemos ver que associar os dois pontos de vista, sem radicalismo e com responsabilidade, pode trazer um resultado mais amplo dentro do tratamento. Sendo assim, a necessidade de um produto natural que mostre claramente a sua variação química (quimiotipo) é imprescindível quando pensamos no uso destes óleos via oral. E mesmo quando vamos mais adiante, assumindo de forma clara que ao inalarmos os óleos estes penetrarão nossos pulmões e atingirão a corrente sanguínea desencadeando as mais diversas reações, esta exigência acaba se tornando ainda maior.

 

No Brasil e mesmo no exterior ninguém explora a ampla variedade de óleos essenciais que existe no mercado, não há controle sobre a venda de produtos ou o ensino da prática - e muito menos há ênfase na necessidade de se observar as variações químicas presentes nos óleos. E para se ter maior garantia da pureza e qualidade dos óleos essenciais e se obter bons resultados com a Aromaterapia deve-se encomendar a análise química dos óleos por cromatografia gasosa .

 

Obs.: Texto resumido. Se quiser ler o texto na íntegra acesse o site da Aromalândia – www.aromalandia.isonfire.com

 

Se você se interessa pela abordagem química dos óleos essenciais, você vai adorar nosso curso, é bem profundo! Veja o programa completo na seção cursos.

 





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